Ansiedade e pensamentos acelerados: 05 passos para acalmar a mente quando ela não para
Sabe o trânsito da Av. Paralela em Salvador às seis da tarde? Carro buzinando, moto cortando, todo mundo com pressa de chegar e ninguém saindo do lugar. Tem noite que a cabeça fica exatamente assim. Ansiedade e os pensamentos vêm um atrás do outro, sem sinal e sem espaço, e você fica ali, deitado, repassando a conversa de ontem, a conta que vence na sexta, o que pode dar errado na semana que vem. Se isso soa familiar, saiba que é bem mais comum do que parece. A mente acelerada é uma das formas mais frequentes de ansiedade, e dá para aprender a baixar o ritmo. Neste texto, você vai entender por que a cabeça não para e conhecer 5 passos simples para acalmar os pensamentos quando eles não dão trégua. Por que a mente não para? Quando a gente está ansioso, o cérebro entende que existe um perigo por perto e fica de vigia. Só que o perigo, quase sempre, não está na sua frente. Está lá no futuro: a reunião de amanhã, o resultado do exame que ainda não saiu, aquela conversa difícil que você vem adiando. Aí a mente tenta resolver tudo de uma vez. Ela ensaia respostas, imagina o pior, volta ao passado atrás do erro. Parece trabalho útil, mas é um motor girando sem sair do lugar. Você gasta energia e não chega a nenhuma solução. E tem um detalhe que complica: quanto mais você se obriga a parar de pensar, mais os pensamentos aparecem. É como mandar o trânsito andar mais rápido. Por isso, os passos abaixo não pedem que você bloqueie a mente. Eles ajudam a diminuir o ritmo aos poucos. Passo 1: perceba e dê nome ao que está acontecendo O primeiro passo é parar de brigar com a própria cabeça. Quando você diz para si mesmo “preciso parar de pensar nisso”, ela entende como mais um problema para resolver. Tente o contrário: só perceba. Diga mentalmente, ou em voz baixa: “minha mente está acelerada agora”. Se quiser, acrescente: “isso é ansiedade e vai passar”. Parece pouco, mas dar nome ao que a gente sente ajuda o cérebro a sair do modo alarme e a olhar a situação com um pouco mais de distância. É como deixar de estar no meio do engarrafamento e passar a olhar o trânsito lá de cima, de uma passarela. Os pensamentos continuam passando, mas você não precisa entrar em cada carro. Passo 2: volte para o corpo Pensamento acelerado quase sempre vem junto com o corpo acelerado: respiração curta, ombros duros, coração batendo forte. E o caminho mais rápido para acalmar a cabeça costuma passar por aí. Sente-se ou deite-se, apoie bem os pés no chão se estiver sentado e sinta o peso do corpo na cadeira ou na cama. Puxe o ar pelo nariz contando até quatro e solte devagar pela boca contando até seis. Repita por uns três minutos. Soltar o ar mais devagar do que puxou avisa ao corpo que não tem perigo por perto. Se a mente fugir no meio, tudo bem, é normal. Traga a atenção de volta para a respiração, sem se cobrar. Outra ajuda é reparar em coisas concretas: três sons que você escuta agora, o contato da roupa na pele, a temperatura do ambiente. Isso prende você no momento presente, e o presente quase sempre é mais tranquilo do que a cabeça faz parecer. Passo 3: tire os pensamentos da cabeça e ponha no papel Pensamento guardado só na cabeça fica rodando sem parar. No papel, ele ganha o tamanho real. Pegue um caderno ou o bloco de notas do celular e escreva tudo o que está passando, do jeito que vier, sem organizar e sem se preocupar com a escrita. Pode ser uma lista bagunçada mesmo. Depois, olhe para o que escreveu e separe em dois grupos: o que dá para resolver hoje ou nos próximos dias e o que não depende de você. Para o primeiro grupo, anote um próximo passo pequeno, como “ligar para o banco amanhã às 9h”. Para o segundo, a única tarefa é deixar ali no papel. Muita gente se surpreende ao ver que a lista é menor do que parecia. A cabeça tinha transformado cinco preocupações em cinquenta. Se, mesmo com esses passos, a sua mente continua a mil na maior parte dos dias, pode ser um bom momento para buscar apoio profissional. A psicóloga Luciana de Oliveira, atende presencialmente na cidade de Salvador e também online, para quem mora em qualquer outro lugar do Brasil. Passo 4: questione o “e se” Boa parte dos pensamentos acelerados começa com um “e se”. E se eu errar? E se ela não gostar? E se der tudo errado? Eles soam como perguntas, mas funcionam como alarme falso: tocam alto e não avisam de perigo nenhum. Quando um deles aparecer, faça três perguntas para você mesmo. Isso está acontecendo agora ou é só uma possibilidade? Que provas eu tenho de que vai acontecer? Se acontecer, o que eu faria? A última é a mais útil, porque tira você do lugar de quem só sofre por antecipação e coloca no de quem tem um plano. Muitas vezes, você vai perceber que a chance é pequena ou que, se acontecer, você tem como lidar. Não precisa se convencer de que vai ficar tudo bem. Basta lembrar que você já passou por coisas difíceis e deu um jeito, um passo de cada vez. Passo 5: reserve um horário para as preocupações Parece estranho, mas funciona. Combine com você mesmo um momento do dia para pensar nos seus problemas: quinze ou vinte minutos, de preferência no fim da tarde e longe da hora de dormir. Se uma preocupação surgir fora desse horário, anote em uma linha e diga: “isso eu vejo mais tarde”. Quando chegar a hora, abra a lista e cuide do que ainda faz sentido. Muita coisa já vai ter perdido a força até lá. Esse hábito ensina à mente que existe um lugar certo … Ler mais